ESTAÇÃO TELEMÉTRICA MONITORA MIGRAÇÃO DE PEIXES

SimbiotaMais que um instrumento para a geração de energia, a Usina RS-155 possibilita uma série de ações de cunho socioambiental, que vão além da recuperação dos danos provocados. Uma das exigências para a obra diz respeito à conservação da fauna aquática do local e, neste sentido, foi instalada no canteiro de obras uma Estação Telemétrica que monitora os peixes migratórios do rio Ijuí, permitindo a coleta de informações e a formação de estratégias de conservação.


Devido ao crescimento do número de usinas na bacia do rio Ijuí, o Ministério Público Federal e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) estabeleceram um programa que tem o objetivo de integrar os projetos ambientais destas usinas, principalmente quanto à preservação da fauna íctica (peixes) existente nos rios que compõe esta bacia. Neste sentido idealizou-se a instalação de Estações Telemétricas ao longo dos rios, junto às usinas que os aproveitam para a geração de energia elétrica. A Ceriluz aderiu à proposta e instalou uma base de receptores na Usina RS-155, integrando o projeto Simbiota: Peixes Migradores da Bacia do Rio Ijuí.

DSC 7624As estações são constituídas de bases fixas de receptores que registram sinais de rádio que são emitidos por transmissores implantados nos peixes. Além das antenas para recepção, possuem uma base de registros, autossuficiente, movida a partir da energia solar captada por uma célula fotovoltaica, importada do Canadá. Segundo a bióloga da Ceriluz, Sara Corbelini Enéas, a estação vai permitir o acompanhamento do comportamento dos peixes que estão nas imediações da usina. O objetivo desse trabalho é entender o quanto esses animais se deslocam, quais as suas rotas e entender melhor o seu comportamento para propor estratégias de manejo e conservação para as espécies e para quem vive da pesca.

Para que as estações funcionem é indispensável que os peixes recebam transmissores que emitem sinais de rádio. Conforme a Simbiota Consultoria Ambiental, organização responsável pela execução do projeto, mais de mil animais já possuem essa identificação, sendo estes das espécies dourado, grumatã, piava, pintado e voga. Aproximadamente cem exemplares foram marcados durante a piracema de 2011/2012 e outros 40 ainda serão marcados  na próxima piracema. Estes peixes são identificados, medidos, pesados e é feito o registro do local e a data onde foram capturados e soltos, sendo após monitorados por esta rede de receptores instalada ao longo da bacia. Atualmente são sete unidades e pretende-se ampliá-la ainda mais. “Além da PCH RS-155 outras usinas maiores, como a São João e São José, também implantaram as estações permitindo o cruzamento dos dados coletados nestas unidades e em todas as demais existentes”, explica Sara.

A bióloga ressalta que é fundamental a participação da população ribeirinha e pescadores profissionais no desenvolvimento deste estudo. “Caso alguém pesque esse peixe, se ele estiver em condições, devolva-o ao rio, caso contrário, entre em contato com o número que consta no transmissor e devolva o equipamento. Este poderá ser utilizado em outro peixe”, informa ela. Os peixes recebem sinalizadores com estrutura plástica, identificados com o nome do projeto e telefone para contato, para que possam ser identificados caso alguém venha a retirá-los do rio. É fácil identificar este peixe, uma vez que ele apresenta uma espécie de antena amarela, semelhante a um fio de náilon. Sara lembra que são equipamentos relativamente caros, mas com valor apenas para o projeto, não tendo valor comercial.

Escada de Peixes - Também pensando em contribuir para o processo migratório das espécies, a Ceriluz está instalando na barragem da nova usina uma escada de peixes. Esta estrutura tem o objetivo de permitir que as espécies migratórias possam subir o rio no período da Piracema para a reprodução, transpondo a barragem. Este tipo de estrutura já existe na Usina José Barasuol e apresenta bons resultados. Sara lembra ainda que, devido à vulnerabilidade dos peixes nestes locais, a pesca é proibida em uma distância de 1,5 quilômetros de qualquer estrutura da usina, tanto agora no período de construção, quanto depois, na operação. O descumprimento desta regra é considerado crime ambiental.